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A História do Surfe no Mundo

História no Mundo

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O SURF NO MUNDO      Por Henry Lelot

 

Ah, o surfe! Esse esporte maravilhoso que nos permite deslizar sobre as ondas, nos conectar com a natureza e recarregar as energias. Você pode ter começado a surfar sozinho, com sua família ou com seus amigos, mas você sabe como ele mesmo começou? 

 

A origem do surf remonta há mais de dois mil anos atrás, quando habitantes do sudeste asiático iniciaram sua expansão pelas pequenas ilhas que pontilham o Pacífico Sul. O fato é que ao iniciar suas viagens de descoberta os povos que mais tarde ficaram conhecidos como polinésios começaram a desenvolver uma estreita relação com o oceano. Por passarem a habitar ilhas com pouca extensão, o mar era a principal fonte de alimentos e divertimento.

Pesquisas recentes revelaram que o surf era inicialmente praticado com o corpo (o famoso “jacaré”) ou com um pedaço de madeira. Posteriormente, à medida que os polinésios começaram a desenvolver uma religião baseada nos fenômenos da natureza, o surf e a canoagem passaram a ter profundas significações sociais e espirituais. Assim, quando a simples “brincadeira” chegou ao Taiti e Havaí em meados do século V d.C. ela passou a ser identificada com rituais e jogos violentos entre chefes tribais, que muitas vezes acabava com a morte dos competidores. Apesar do surf ser inicialmente uma brincadeira dominada por garotos, foi intensamente praticado pelas mulheres, uma vez que estava ligado às práticas sexuais dos havaianos.

Em verdade, não há como precisar a origem do surf, mas uma outra história também remonta há cerca de 5.000 anos, quando se equilibrar nas ondas em pé nos Caballitos de Totora(precursores do Stand Up Paddle) era uma prática comum no antigo litoral peruano. No entanto, apesar de ser praticamente impossível e até desnecessário tentarmos apreender com precisão a verdadeira origem do surf, em nenhum lugar do planeta o desporto foi praticado com tanta intensidade e riqueza de significados como no arquipélago polinésio, em especial, no Havaí.

Há cerca de 5.000 anos, haviam pescadores que, em vez de usarem canoas para enfrentar o mar na busca por peixes, remavam sobre grandes pranchas feitas com toras de madeira – a mesma utilizada nas canoas – para passar o dia mergulhando nas encostas em apnéia, na busca por crustáceos e… as tão famosas Pérolas Negras do Tahiti, únicas em seu tamanho e beleza, consideradas as mais preciosas do planeta.

Ao sair do mar, deslizando até a areia com suas tábuas carregadas de especiarias e tesouros submersos, talvez tenham sido eles os precursores do esporte, pois não é difícil imaginar a magia que envolvia esses diferenciados mergulhadores e seus mistérios acerca das profundezas do mar, que certamente impressionavam as filhas dos reis (kaikamahines) e casavam-se com elas, tornando-se também reis, à exemplo deMoikeha, como reza a lenda hawaiana.

O Surf chegou ao Hawaii por volta do século IX DC: Conta-se que o rei taitiano Tahito, conhecido por Moikeha, foi o primeiro polinésio a surfar no Hawaii. Ele velejava a procura de boas ondas e após aportar na ilha de Hawaii e de Oahu, Moikeha encontrou em Kauai, as ondas perfeitas que procurava.

Ao surfar, impressionou as filhas do rei de Kauai e com as duas acabou se casando mais tarde, tornando-se  rei de KAUAI. E desde então, o surf se instalou nas ra¡zes culturais, artísticas e religiosas das ilhas hawaianas. Considerado o “esporte dos deuses”, apenas os reis podiam ficar em pé na prancha e usavam as pranchas OLLO, maiores e mais pesadas, enquanto os súditos deviam permanecer deitados, e só podiam usar a ALAIA, uma prancha menor e mais fina, por serem considerados inferiores.

As pranchas eram feitas pelos próprios surfistas, e a crença era de que, ao confeccioná-las, eles transmitiam suas energias positivasà elas e, aio utilizá-las todas as energias negativas eram transmutadas. A práticado surf era considerada um “culto ao espírito do mar”.

Em 1778, o capitão inglês JAMES COOK aportou no HAWAII e descobriu o surf para o mundo ao relatar a prática em seu diário. Ele considerou o surfe uma atividade relaxante, mas diversos missionários protestantes não tiveram a mesma opinião e durante muitos anos desestimularam a prática do esporte. Em 1819, o rei KAMEHAMEHA II, filho do grande KAMEHAMEHA, unificador do HAWAII, determinou que a prática do surf fosse livre. Mas com a chegada dos colonizadores brancos, o número de nativos foi diminuindo drasticamente, caindo de 300 mil para apenas 40 mil ainda no inicio do século, principalmente em função de doenças novas e da miscigenação que reduziu pouco a pouco a população hawaiana pura, extinguindo seus costumes, entre os quais o próprio surf, que foi praticamente banido das ilhas pelos colonizadores. Somente em 1907, com GEORGE FREETH, o principal surfista da época, o surf voltou às praias do arquipélago.

Mas o esporte precisava expandir suas fronteiras: DUKE PAOA KAHANAMOKU era exatamente o embaixador que o surf necessitava. Nascido em 1890, DUKE tinha o sangue real nas veias. Campeão das piscinas, o hawaiano DUKE KAHAMAMOKU participou de quatro olimpíadas e entrou para a história dos jogos olímpicos ganhando um total de três medalhas de ouro e duas de prata.

Em 1912, ESTOCOLMO, ganhou suas primeiras medalhas: ouro nos 100m livre quebrando inclusive o recorde mundial e prata nos 4 x 200 m livre. Oito anos depois, na ANTUERPIA, ele competiu nas mesmas provas, e venceu ambas, passando a ser considerado o nadador mais rápido do mundo. Somente nas Olimpíadas de Paris é que Duke perdeu seu posto para um nadador bem mais jovem do que ele, chamado JohnyWeismuller. Este, anos mais tarde, tornou-se um conhecido ator de Hollywood, interpreteando o papel de Tarzan. Duke filosóficamente comentou: “Pelo menos, foi necessário o Rei das Selvas para me vencer”. E em 1924, AMSTERDAM, com 33 anos e 331 dias, obteve prata nos 100 m livres, tornando-se o mais velho medalhista da natação americana. Durante sua carreira, a fama de Duke crescia na medida de suas vitórias olímpicas. Ele sabiamente tirava proveito disso, para divulgar as coisas que ele mais amava: seu povo e o surf. Dizia-se que ele amava o surf mais do que a própria natação e que ele era o melhor surfista da época.

Duke fez o mundo saber que ele era um surfista da praia de Waikiki, situada no arquipélago Hawaiano e que o surf era o ato de cavalgar sobre as ondas do mar. Esta foi a primeira vez que o mundo ouviu falar do Hawaii e do surfe.  Sempre que ia competir, levava sua ” pranchinha ” com quase quatro metros de comprimento e pesando cerca de 80 quilos. Em 1913, durante sua passagem pelos ESTADOS UNIDOS, introduziu o surf como esporte. Em 1915, foi competir na AUSTRALIA. Em vez de levar sua prancha, resolveu fabricar uma no país, para ensinar aos moradores locais a arte de SHAPEAR uma prancha. Assim, a AUSTRALIA conheceu o surf.

Graças a sua fama de campeão olímpico, seus esforços não foram em vão: eles vingaram e floresceram, formando o embasamento do que seria o surf na Era Moderna. Ele morreu em 1986, aos 94 anos, mas até hoje todos os surfistas lembram daquele que foi e sempre será lembrado como o “PAI DO SURF MODERNO”.

Reza a lenda que o famoso e tradicional gesto que os surfistas utilizam para se cumprimentar foi iniciado por um antigo rei havaiano que costumava acenar para seu público enquanto surfava. O ponto é que o rei só possuía o dedo mindinho e o polegar, o que fez com que o gesto fosse popularizado entre os surfistas. Já a expressão “HangLoose” surgiu na década de 1950, mas só se destacou nas décadas de 60 e 70. Significa “ficar tranquilo e sossegado”.

O novo impulso mundial no esporte só aconteceu após a II Guerra, com o surgimento das pranchas de fibra de vidro, invenção do californiano ROBERT SIMONS.

No mundial de 1968, em PORTO RICO, os surfistas australianos trouxeram as primeiras MINIMODELS, ( pranchas menores e mais leves ) também idealizadas por BOB McTAVISH. Uma lista interminável de shapers introduziram os mais diversos aperfeiçoamentos nas pranchas:            O ” V Botton ” criado por McTAVISH, foi testado e aprovado em vários lugares culminando com o campeonato mundial de 1966, vencido pelo australiano NAT YOUNG, em SAN DIEGO, Califórnia. Vieram então, a rabeta SWALLOW, criada pelo hawaiano BEN AIPA, a prancha FISH, criada pelo californiano STEVE LIS, as MINIGUNS para ondas grandes, criadas por DICK BREWER, os WINGS e a STINGER também criadas por BEN AIPA.

Por volta de 1975, o surf começou a se modificar novamente. O posicionamento da quilha passou a ser melhor avaliado ( mais atrás para as ondas maiores, mais à frente para ondas menores) e as pranchas diminuíram mais uma vez em tamanho, tornando-se mais leves e rápidas. Concave, caneletas, bonzer, doublewings, passaram a ser difundidos revelando novos shapers como: GEOF McCOY, BILL BARNFIELD, TERRY FITZGERALD, RENO ABELIRA, entre outros.

Em 1978, o australiano MARK RICHARDS relança a BIQUILHA, vencendo um total de 04 títulos mundiais. Mas, em 1980, o também australiano SIMON ANDERSON revoluciona o surf com a sua TRHUSTER (triquilha) vencendo três etapas do circuito mundial. Sua invenção predomina até os dias de hoje, em função de sua excelente funcionalidade e performance, em qualquer tipo e tamanho de onda.