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Apresentação Pessoal

“Quando a gente fala da vida da gente, é sempre meio complicado, eu mesmo, sempre que tento falar sobre a minha vida, me deparo com três currículos que me acompanham e entrelaçam entre si; me deixando com ares de maluco para as pessoas…

         Toda vez que tento falar algo sobre a minha história de vida, não tem como não tocar no assunto desses três currículos; são eles, o meu Currículo Esportivo, meu Currículo Vitae, e um outro currículo que tenho, mas que é meio secreto e que por isso, talvez eu nunca chegue á conhece –lo totalmente, enfim, eu sei que ele existe, mas é meio difícil de falar sobre o assunto…

         É que tudo foi começando já de uma forma meio maluca mesmo, então…

         Acho melhor fazer uma volta á tempos remotos para poder me apresentar melhor ao mundo.

         Quando eu ainda era criança , tinha aproximadamente uns 10 anos ,fui presenteado pelo meu pai com uma viagem de avião , no meio da viagem, em uma das escalas do avião que nos levava , meu pai avistou o Silvio Luiz , comentarista esportivo, esperando seu voo em um dos acentos do aeroporto .

         Meu pai se dirigiu até ele e pediu para tirar uma foto comigo, então, no momento em que tirávamos a fotografia, ele me falou algo assim: “ Porque você não pede para o seu pai te colocar na natação garoto? Aí eu te ponho aqui, na palma da minha mão.”…

         E, me mostrando um distintivo do Comitê Olímpico Brasileiro, me disse que tinha gente de olho em mim, que no momento certo ele mandaria um olheiro me visitar; e que eu saberia quem seria esse olheiro na hora certa.

         Um ano depois, eu entrei na natação, e em pouco tempo já estava me dando bem no esporte, mas teve um dia que foi mágico…

         Eu estava nadando na academia e o treinador me pediu para testar meu tempo, e pra nossa surpresa, ao finalizar meu tempo, o resultado tinha sido alguns segundos na frente do primeiro recorde mundial do Ricardo Prado.

         Nesse dia, quando acabei de nadar, eu estava descansando sozinho no sofá da academia, quando apareceu o Ayrton Senna, se dizendo um brigadeiro da reserva da Aeronáutica Brasileira, pedindo para conversar comigo, que estava ali numa missão de paz.

         Então nós ficamos conversando um pouco, falamos sobre presente e futuro, ele me fez alguns elogios e me disse que eu tinha uma pequena alteração genética, que seria uma evolução biológica herdada do meu pai, e que graças á esta evolução eu poderia me dar bem em qualquer esporte que eu escolhesse praticar; me apelidando assim de super atleta.

         Na época eu era muito novo e não entendi direito o que ele me disse, então eu disse á ele que meu maior sonho era ser surfista, e ele me disse que me apoiaria se eu fizesse um juramento que as pessoas fazem quando são convidadas á fazer parte do COB.

         Então, eu fiz esse juramento, que é tipo um juramento á bandeira nacional brasileira; foi quando pra minha surpresa, ele me estendeu a mão me pedindo para sermos amigos.

         Me dizendo que o surfe ainda não era considerado um esporte olímpico, mas que mesmo assim, mesmo que estivesse distante, ele gostaria de me acompanhar nesse caminho que escolhi seguir.

         E que, ao longo desse caminho, me daria algumas provas de amizade, que eu só iria ficar sabendo dessas provas quando terminasse meus estudos acadêmicos.

         Com o passar dos anos, eu fui descobrindo algumas dessas provas de amizade, mas nunca pude fazer nada em relação á isto, pois como o Senna faleceu antes de que eu terminasse meus estudos, eu nunca pude provar que esse nosso encontro aconteceu.

         Mas com a descoberta dessas provas, eu fui também encontrando meu caminho no mundo dos esportes e fui me dedicando cada vez mais…

         Pratiquei natação, bicicross, skate, karatê, Kung- Fu, atletismo, caiaque, entre outros, até chegar no surfe.

         E isso foi quando eu estava próximo aos meus quinze anos, no início dos anos de 1990, que de tanto eu insistir para o meu pai, acabei ganhando uma prancha de surfe dele, então foi aí que o mundo foi se transformando para mim.

         Naquela época, minha prancha de surfe não era uma prancha de surfe tão comum de se ver, se tratava de uma Funboard tamanho 7’10”, uma prancha que sem eu saber, acabou me dando a honra de estar entre os cem primeiros surfistas da quarta geração de Longboarders do Brasil.

         Um destaque intermediário, entre o pioneirismo e o modismo…

         E fatores como as provas de amizade do Senna, que nunca me saíram da cabeça, junto á esse fato de que sou um intermediador da categoria á qual pertenço, leal até os dias de hoje (28 anos se passaram), a galera que pegava onda comigo, as amizades que fiz na praia, as viagens que fiz, entre outros; foram me incentivando á me aprofundar cada vez mais no esporte.

         Em 1992 um amigo me mostrou um anúncio numa revista de surfe, era um anúncio de um curso para aprender a fazer pranchas de surfe, no Rio de Janeiro – Rj, e lá fui eu fazer o curso.

         Eu gostei tanto do curso e da galera que eu conheci por lá, que de tempos em tempos eu voltava para fazer uma reciclagem, até 2005, quando fui fazer o curso de Instrutor de Surfe; com meu mestre e amigo, Henry Lelot.

         Depois que conheci o surfe de uma maneira mais aprofundada, sinto que minha vida mudou muito, pra melhor, minha qualidade de vida melhorou e meu jeito de ser com as pessoas também melhorou; por isso, continuo praticando o esporte, ás vezes com menos frequência, ou ás vezes com mais frequência.

         E assim, o surfe e seu estilo de vida, vem se incorporando á minha maneira de viver e me dando muitas alegrias.

         Porém, confesso que nunca deixei e nunca deixarei de lado a promessa que fiz ao Senna, e suas provas de amizade.

         Tenho tudo isso, como algo muito importante na minha vida, sinto que não devo dar as costas á esses acontecimentos só porque não posso provar que nossa conversa aconteceu, por isso, continuo na minha, sempre praticando meu esporte favorito, que é o surfe; e com a estigma de cobrar de mim mesmo que essa promessa nunca se apague…

         Enfim, as medalhas que ganhei no mundo esportivo não passaram de medalhas de Honra ao Mérito, porém eu acredito que meu maior mérito foi ter feito acontecer a minha história dentro dos esportes que gosto, e ter me dedicado á todos eles.

         Por isso, acredito que minha maior medalha, é a vida que eu escolhi diante desse caminho, que é uma vida maravilhosa, cheia de surpresas, aventuras; e de vivências que eu não teria, se fosse um competidor exemplar, com muitas medalhas conquistadas.

Essa é a minha história; minha verdadeira história…”

 

Eduardo de Mello Viana.

– Fazendo Arte Desde 1975 –